Em discurso contundente, o presidente Pedro Barnabé destacou o esgotamento da categoria de marketing e reafirmou a necessidade da jornada de 40 horas sem redução salarial; encerramento foi marcado por manifesto contra o feminicídio.
SÃO PAULO – O SindProMark, Sindicato dos Profissionais de Marketing marcou presença institucional na última segunda-feira (30), em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). O evento, organizado pelo deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, contou com a participação do Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, além de diversas lideranças do movimento sindical e especialistas.
O debate central girou em torno dos impactos sociais e econômicos do fim da jornada 6x1 no Brasil. Durante sua intervenção, o presidente do SindProMark, Pedro Barnabé, reforçou que a luta da categoria não se limita apenas ao fim da escala atual, mas exige a implementação da redução da jornada para 40 horas semanais, sem qualquer redução nos salários.
Em sua fala, Barnabé trouxe à tona a realidade crítica enfrentada pelos profissionais de marketing, um setor movido por pressão constante e prazos imediatos.
"A escala 6x1, na nossa categoria, não organiza o trabalho, ela aprofunda o esgotamento. O 'urgente' virou rotina e o 'só mais uma entrega' nunca termina. Estamos falando de profissionais que vivem conectados o tempo todo, sem que esse tempo sequer seja reconhecido. Isso não é produtividade, é adoecimento institucionalizado", afirmou o Presidente.
O dirigente sindical rebateu os discursos de que a redução de jornada prejudicaria a economia, citando exemplos históricos como a implementação das férias e do 13º salário. "Toda vez que o trabalhador deu um passo à frente, disseram que a economia não suportaria. O problema nunca foi o direito, sempre foi a resistência à mudança", pontuou.
O modelo de sociedade e a jornada de 40 horas
Para o SindProMark, a discussão ultrapassa a escala de trabalho e atinge o modelo de sociedade desejado. A defesa da jornada de 40 horas semanais é vista como um avanço civilizatório necessário para garantir o que Barnabé chamou de "recurso que ninguém recupera": o tempo.
"Não existe economia forte com trabalhador fraco. Trabalhador exausto erra mais, adoece mais e custa mais para a sociedade. O trabalho deve servir à vida, e o tempo para a família e para a saúde é o mínimo para se viver com dignidade", defendeu Barnabé.
Encerrando sua participação na audiência, Pedro Barnabé utilizou o espaço de destaque para pautar uma questão urgente de direitos humanos no Brasil. Em um manifesto de solidariedade e repúdio, o presidente condenou os índices de violência contra a mulher.
"Nenhuma sociedade é justa enquanto mulheres não puderem viver com segurança. Sempre que uma liderança tiver a oportunidade de ser ouvida em espaços de poder, deve utilizar sua voz para denunciar o feminicídio e exigir proteção integral às mulheres", declarou, sendo aplaudido pelas lideranças presentes.
A audiência na ALESP reforça a articulação do SindProMark junto ao Governo Federal e ao Legislativo, consolidando a categoria de marketing como protagonista nas discussões sobre o futuro das relações de trabalho no país.
30/03/2026